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Monitorização inteligente deteta descargas no Ave

Tratave 2

Sistema de sensores mede caudal do rio e das caixas de saneamento em tempo real. Já alertou para 22 ligações que foram desviadas para baixar a fatura do tratamento de efluentes.

A Tratave, empresa responsável pelo Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave (SIDVA), desenvolveu um sistema inteligente de monitorização em tempo real do caudal do rio e dos efluentes que são transportados nas condutas de saneamento em alta dos concelhos de Guimarães, Vizela, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso e Trofa.

A medição é feita por sensores e está diretamente ligada a um programa informático que envia alertas sempre que há um desvio significativo da quantidade de saneamento que está a ser transportado. Se a quantidade de efluente que corre nos tubos for baixa, "estamos perante uma possível obstrução ou até uma paragem de uma estação elevatória", explica António Pereira da Silva, engenheiro civil da Tratave que desenvolveu o sistema.

Ou seja, se o caudal de saneamento for anormalmente baixo, o mais certo é que o efluente poluente que devia estar a ser encaminhado para os tubos da Tratave esteja a cair no rio ou nas margens, uma vez que a rede do SIDVA está instalada ao longo dos cursos de água. Em sentido inverso, se o caudal for anormalmente alto e não estiver a chover, "ou é um industrial ou pode ser uma rotura na rede".

Mais 20 mil euros na fatura

Ao longo dos anos, algumas indústrias que laboram na zona do SIDVA criaram ligações ilícitas à rede de saneamento, o que lhes permitiu escoarem efluentes para a rede sem que ninguém soubesse de onde eles vinham, para assim reduzirem a fatura de tratamento a pagar.

Agora, sempre que uma destas redes ilegais é utilizada por um industrial, o aumento do caudal envia um sinal de alerta para a Tratave que, por sua vez, vai ao terreno apurar as causas. "Detetaram-se 22 ilicitudes que foram corrigidas graças à implementação do sistema", revela António. Algumas empresas estavam a pagar apenas 20% do caudal real e o acerto implicou, em alguns casos, o acréscimo de 20 mil euros na fatura mensal.

Para que a medição seja feita com alta precisão, foram colocados 31 sensores, um por cada 1,5 quilómetros de rede de saneamento em alta. Cada sensor foi programado para registar uma determinada quantidade de caudal médio e, "havendo alterações, emite o alerta porque sabia o que era suposto chegar ali", complementa Cláudio Costa, diretor-geral da Tratave.

Na sede da empresa, num televisor fixado na parede, António consegue acompanhar em tempo real o estado do caudal detetado por cada um dos 31 sensores instalados na rede.

 

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